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Data: 07/05/2001 00:00:00
[386 Palavras]
Autor: Gazeta Mercantil
BRASÍLIA, 7 de maio de 2001 - O senador José Roberto Arruda (sem partido-DF) decidiu sair do silêncio e usar a imprensa para se defender das acusações e denúncias sobre a viuolação do painel de votações do Senado.
Arruda mudou de estratégia ao perceber que o senador Antonio Carlos Magalhães está aparecendo constantemente na TV com uma intensa campanha publicitária como forma de evitar uma punição dura, que pode ser até mesmo a cassação. "Como eu não tenho recursos para pagar este tipo de campanha vou falar com vocês da impressa", afirmou o senador.
Como parte desta iniciativa, o senador está preparando também um relatório que está chamando de "memorial", no qual apresentará argumentos para evitar a sua cassação. Ele mantém a sua versão sobre o episódio: fez uma consulta à ex-funcionária do Senado Regina Borges sobre a fragilidade do sistema eletrônico de votações em nome de ACM. Arruda reitera que não renunciará e diz que considera a cassação do mandato a sua "morte política".
Neste documento, que será entregue aos membros do Conselho de Ética, Arruda dirá como principal que cometeu apenas uma infração regimental. "Se você quer punir com pena máxima um erro menor, como vai punir um erro grave?", indagou. "É preciso haver uma dosimetria da pena, que começa a ser percebida tanto pela opinião pública quanto pela mídia", afirmou.
Como exemplos do mesmo erro, Arruda citará o episódio em que senadores da oposição mostraram para fotógrafos seus votos, que deveriam ser secretos, na sessão em que foi eleito para presidente da Casa, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Além disso, lembrará os casos em que parlamentares vazaram para a imprensa informações sigilosas, como dados bancários e telefônicos, resguardadas por CPIs.
O ex-líder do governo se diz arrependido e diz que jamais faria uma nova parceria com ACM. "Até porque eu fiz o que fiz em nome dele e agora ele está negando", afirma. Arruda faz ainda um apelo em seu favor e diz que assim como a ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Borges, mentiu por duas vezes e depois confessou o seu envolvimento no episódio, ele fez o mesmo.
"Ela foi louvada ao confessar. Por que eu também não recebo os louros?", afirma. "É totalmente de desvio de dinheiro público ou quando uma pessoa fica mentindo até o fim", acrescenta. (Katia Guimarães - Gazeta Mercantil)